21 de ago de 2016

eu-culinarista


fui ao programa da querida Nêta Bueno, apresentadora itapetiningana, para bater papo e dar a receita do meu hamburguinho vegetal

27 de jul de 2016

foi só depois de escrever que me dei conta da transformação surpreendente. estou bem. não respondi com o meu "estou" habitual, que quase todos os interlocutores interpretavam como sim, mas que diziam a neutralidade com tendência negativa do estado. percebi admirada que se já não estou é porque tenho sido. não que a vida, sempre algoz, tenha se tornado gentil, ou que eu tenha passado a gostar das pessoas a ponto de desejar multidões ou grupos incertos - muito pelo contrário, aliás. estou bem porque tenho estado pouco e bem acompanhada. estou bem porque a ventania me fez forte e não há pedra que minhas ausências feitas de perdas-buracos não suportem ou tempestade que eu não acolha com mansidão. estou bem. e só.



Estive no lançamento do livro "A Mão Esquerda de Vênus", da Fernanda Young, e escrevi sobre o livro para o site do Leia Mulheres.

"A Mão Esquerda de Vênus e as deliciosas urgências de Fernanda Young" pode ser lido AQUI.

16 de jun de 2016

(eco)ar
Não elevar a voz, ainda que para satisfazer o apetite insaciável do ego cada vez mais gordo. Permanecer monocórdio, a despeito de toda e qualquer alegria festejável. Não há felicidade que resista à vigilância invejosa, carente de desilusão e desespero.
O prazer, feito de pele e delicadeza, é um sussurrar vagamente luminoso, imerso nas delícias da solidão.

12 de jun de 2016

12/06

desperto
na carne
o já extinto
limbo

limão e lota

amor: o próprio
trinta e seis vezes
desconhecido meu


4 de abr de 2016

a palavra:chave

abriremos simultaneamente as inúmeras portas cerradas pela passagem do tempo e semearemos a delicadeza multicor de todas as flores no entre da sóbria rudeza das frestas e trincas que povoam as ruínas que fizeram de nós. atravessaremos as dores passadas e seremos recebidas pela escuridão brilhante que oferta o futuro infinito em mãos limpas e espalmadas aos sons do sol. as inspirações trarão consigo o que é belo, mas também o impuro - imprudente e cego - que a resistência dos corpos será capaz de transformar. encontraremos espaço em, entre, sob e sobre as janelas, e experimentaremos as diferentes luzes das nossas des-limitações. residiremos, sobretudo, no gesto: na força da poesia que germina em solo árido, na firmeza delicada do tato e no olhar gentil que aprecia a dança e as ondas do tempo a passar. em redor das nossas próprias fogueiras - as mesmas que, no passado, nos queimaram - seremos sempre mais, muitas, e mais fortes; aprendemos a sobreviver aos desamores abraçadas à beleza da criatividade. imprimiremos nossas marcas, únicas, às linhas que pretendem delimitar a existência. seremos dicionário e norma culta. populares e eruditas. sacras e heréticas. em nossas e noutras paragens, palavras. pequenos universos agrupados, dizendo, de dentro, os nadas do que nos é exterior.

26 de set de 2015


Dias depois da publicação da polêmica envolvendo o e-book "Delegado Tobias", conversei com o escritor Ricardo Lísias; sobre livros, leitura, realidade e ficção.
Um vídeo sobre os livros "Um teto todo seu", da Virginia Woolf, e "Memórias de uma Beatnik", da Diane di Prima; livros lidos para o Bastardas (clube do livro feminista) . E um convite para os encontros do Clube do Livro que acontece na Biblioteca Municipal de Itapetininga.


4 de set de 2015


tenho estado mais na dor que na beleza. mais na vida prática que na onírica ou no ócio, que muito me agrada. entre nadas a muitas coisas, gravei alguns vídeos sobre livros para o canal do coletivo do Quintal Fyabomb, que abraça, além de bons artistas itapetininganos e artistas que passam por Itapetininga, pessoas como eu, de passagem pelo mundo e também por lá.











13 de mai de 2015

Tête-à-Tête: Simone, Sartre e Instagram

Eu não senti raiva do Sartre. Talvez só uma raivinha, que passou rápido, quando me dei conta de que, por melhor escritora e pesquisadora que seja, e ainda que se mantenha fiel aos relatos dos fatos acontecidos, uma autora dificilmente é capaz de exprimir as emoções e sensações exatas de quem as viveu, principalmente quando os biografados não prestaram depoimentos diretos a quem escreve. Também não senti raiva do Sartre porque, embora respeite e me interesse pela produção artística e intelectual da Simone de Beauvoir, sempre olhei com alguma desconfiança o excesso de culto à pessoa que ela foi - ou que pareceu ser. Sim, pareceu ser. Lembro de ter pensado logo nas primeiras páginas do livro de-li-ci-o-so da Hazel Rowley que, se vivesse hoje, Simone  de Beauvoir usaria o Instagram. Dos lugares que frequentavam ao tipo de relações que estabeleceram entre si e com terceiros, quartos e quintos, passando por roupas, pequenos arroubos e escolhas mais ou menos polêmicas, tudo na vida do casal Beauvoir-Sartre pareceu cuidadosamente concebido para criar a aura que sobrevive relativamente intacta ao passar dos anos que os transformaram em ícones; às vezes, ou quase sempre, até mesmo em detrimento da arte e do pensamento que cada um deles produziu.
Tête-à-Tête aumentou ainda mais o meu desejo de tirar os dois volumes de O Segundo Sexo da estante para iniciar o desbravamento da obra da autora de quem conheço quase nada além da ficção; e também me deixou ainda mais desejosa do livro de cartas trocadas entre Simone e Nelson Algren. Seria a Simone de Nelson, a do final do relacionamento com Nelson, descrita por ele, a verdadeira Simone de Beauvoir? Podemos supor que existem verdadeiros nós e, portanto, existiu uma verdadeira Beauvoir?
Hazel Rowley escreveu uma história despida de deslumbrismos, retratando os intelectuais biografados como personagens cometedores de erros e acertos; sobreviventes e vivedores, como todos nós, de inseguranças, dúvidas e de incertezas.  A autora não teve medo de, apesar da admiração declarada, escrever sobre uma Simone que, como quase todos os seres humanos, sofreu, chorou e por vezes abdicou de si em favor de um relacionamento amoroso aparentemente fracassado ou não exatamente feliz.

Tête-à-Tête me encantou principalmente porque fez com que eu notasse os assemelhamentos entre nós e os biografados, que parecem ter vivido uma vida extraordinariamente próxima daquilo que denominamos real. A vida real que é como é, repleta de contrastes, com momentos monocromáticos, sem ajuste de luz ou saturação das cores. Escritos por Hazel Rowley, Beauvoir e Sartre - e o relacionamento entre eles - podem ser lidos repletos de imperfeições e distantes daquilo que consideramos ideal, sem filtro.


Tête-à-Tête - Hazel Rowley - 480 páginas - Editora Objetiva



Impressões de leitura publicadas originalmente no blogue Bastardas.

1 de dez de 2014

de[s]oriente 


I.

desfeita do corpo-exílio
não sei onde termino
quando sinto
o entrelaçar
dos nossos
dedos



II.

espelho: o brilho
escuro
das frestas estreitas
que me olham
sempre
que nos damos
as mãos